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PATRICIA TRONCOSO

MILITANTE MAPUCHE
AGONIZA EN CHILE.
PIDEN A BACHELET QUE REVISE LA SITUACIÓN DE L A DIRIGENTE MAPUCHE CON 106 DÍAS DE HUELGA DE HAMBRE.
Terra Actualidad – EFE
chile-indígenas 22-01-2008
La Asamblea Nacional por los Derechos Humanos pidió hoy a la presidenta de Chile, Michelle Bachelet, que revise la situación de la activista Patricia Troncoso, que lleva 105 días en huelga de hambre, en demanda de la liberación de mapuches presos.
La petición a la mandataria fue hecha a través de una carta que entregó este martes en La Moneda el abogado de derechos humanos Hugo Gutiérrez.
Troncoso, que cumple una sentencia a diez años de prisión por el incendio de un bosque ocurrido en 2001 en la sureña región de La Araucanía, a unos 673 kilómetros al sur de Santiago, pide un nuevo juicio para ella y otros mapuches procesados por leyes antiterroristas y la 'desmilitarizació n' de las zonas en conflicto.
El abogado Gutiérrez calificó la protesta de la dirigente mapuche de 'heroica' y advirtió que si le pasa algo a Troncoso 'la responsabilidad directa es de la presidenta de la República', e instó al Gobierno a 'tomar cartas en el asunto'.
El abogado dijo que Troncoso, que está recluida en el Hospital de Chillán (a 403 kilómetros al sur de la capital) y que al día de hoy se encuentra 'prácticamente encadenada a su cama', recibe desde este lunes alimentación intravenosa, en contra de su voluntad.
El abogado declaró que la condena a la activista por la causa mapuche es 'desproporcionada e injusta', y destacó la necesidad de revisar el caso para que Troncoso 'pueda quedar en libertad'.
Mientras Gutiérrez realizaba la entrega de la carta, tres mujeres mapuches se tiraron a las piletas ubicadas al frente del palacio de La Moneda, donde lanzaron tinta roja y gritaron consignas a favor de la liberación de la dirigente.
Otras cinco mujeres que participaban en el acto de protesta fueron detenidas, entre ellas la esposa del abogado Hugo Gutiérrez, Carmen Barrera, y un adolescente, por desplegar un lienzo.
Las protestas por la situación de Patricia Troncoso y la causa mapuche continuaron por la tarde en Santiago ante los Tribunales de Justicia, donde hoy se inició el juicio por la muerte de Matías Catrileo.
Catrileo, estudiante mapuche, murió el pasado 3 de enero en un incidente con policías, cuando un grupo indígena intentó ocupar un fundo en la localidad de Vilcún, situada a 672 kilómetros al sur de Santiago.
La Corte Marcial ordenó hace una semana la detención por 'uso abusivo de la fuerza' del cabo de Carabineros Walter Ramírez, de cuya arma salió presuntamente la bala que mató al estudiante.
Unos 30 protestantes se plantaron a las puertas de los Tribunales de Justicia ataviados con pancartas y gritaron consignas a favor de la dirigente mapuche y del joven estudiante muerto, al tiempo que criticaron a la presidenta Michelle Bachelet.
Carlos Antiguala, representante de la Coordinadora de Organizaciones Autónomas Mapuche de Santiago (Cooams), indicó que el Estado no escucha las demandas de Patricia Troncoso, y recordó que 'el Gobierno se había comprometido a entablar una mesa de negociación por los presos políticos y eso nunca se llevó a cabo'.
Sobre el estado de salud de la dirigente mapuche, Antiguala explicó que las últimas noticias desde Chillán informaron de que se encuentra 'en una fase crítica', y recalcó que a pesar de la huelga de hambre Troncoso 'está siendo torturada' y 'amarrada al catre' en el Hospital de Chillán.
El representante mapuche advirtió que 'si las demandas de Patricia no son escuchadas' proseguirán las protestas de los distintos grupos de apoyo en Santiago y 'a nivel internacional' .
Morales avança em política indígena, mas interação ainda é problema
Danilo Verpa/Folha Imagem
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O segundo aniversário de governo do presidente Evo Morales,
amanhã, foi celebrado com festa na praça Kantuta, em São Paulo Em dois anos no cargo, presidente ampliou espaço e direitos de povos originários FLÁVIA MARREIROENVIADA ESPECIAL A LA PAZ "Quando a gente via uma mulher de saia rodada tradicional no palácio de governo, era um cozinheira ou uma faxineira, com certeza. Agora pode ser uma secretária, a presidente da Assembléia Constituinte", comemora o taxista aimará José Apaza, 32, questionado sobre o que pensa de dois anos de mandato do primeiro presidente indígena da história da Bolívia.
Com variações, o discurso é ouvido aqui e ali em La Paz, bastião do presidente Evo Morales e da "mudança" no altiplano boliviano, onde, majoritariamente, a população se declara indígena. Até vozes críticas vêem impacto simbólico do governo Morales, quebrando uma espécie de acordo tácito de que as funções de Estado são de monopólio branco.
A ONU segue apontando na Bolívia manifestações de racismo. E, na arrastada crise que envolveu o processo de aprovação do texto da nova Constituição, não faltaram xingamentos à presidente da Constituinte, a líder quéchua Silvia Lazarte.
A nova Carta é justamente a aposta do governo para sair da esfera simbólica e ampliar os direitos indígenas, mas o texto abriu um grande debate no país. Estudiosos e líderes camponeses elogiam a proposta. Críticos acusam Morales de empregar vícios de revanchismo étnico em discursos e de criar na Constituição uma separação entre indígenas e não-indígenas, no lugar de buscar integrar e desenvolver o mosaico de populações.
"Ao contrário do que dizem seus defensores, os índios querem a modernidade. Não querem estar isolados", diz o analista Fernando Molina. "Os críticos falam como se o modelo importado ocidental tivesse solução para tudo. Não tem", defende o antropólogo Xavier Albó. Para ele, a Constituição é um avanço, mas poderia pôr mais ênfase em espaços de convivência intercultural.
Justiça e participaçãoA Constituição -cujo texto ainda pode ser modificado para acomodar visões da oposição- irá a referendo. Mas o texto aprovado pela Assembléia Constituinte em dezembro tem semelhanças com a Carta brasileira, de 1988, e outras da região, com o reconhecimento dos indígenas, seus direitos à terra, ao pagamento pela exploração de recursos naturais nela e à organização de seus territórios ancestrais (aqui, como no Brasil, várias terras estão em processo de remarcação).
Em outros trechos, como na garantia de participação política e no reconhecimento da Justiça indígena comunitária em igualdade de condições com a Justiça ordinária, a proposta é considerada por indígenas a mais "descolonizadora" já feita.
Segundo Albó, um dos pontos altos da Carta é adotar o pluralismo jurídico, o que significa levar em conta usos e costumes das populações em todas as decisões judiciais. Os representantes da Justiça indígena terão participação paritária com os da Justiça ordinária na corte máxima do país.
O texto diz que a Justiça comunitária indígena será a lei no "âmbito dos territórios indígenas", hoje, em geral, áreas de terras rurais comunitárias. Mas, como a Carta possibilita que municípios e regiões se considerem indígenas, movimentos sociais já se articulam para se organizar dessa forma e tentar voltar aos modelos de gestão e Justiça comunitárias.
Num país onde linchamentos são comuns nas periferias e pequenas cidades, críticos temem que o reconhecimento da Justiça indígena incentive a prática, mesmo fora das comunidades declaradas indígenas.
"Justiça com as próprias mãos não tem nada a ver com Justiça comunitária. Isso é ausência de Justiça, descrédito com as formas de controle social. Pode ocorrer aqui, numa favela do Brasil ou no pólo Norte", rebate Albó. Ele lembra que a Justiça indígena estará sujeita à Constituição, signatária de declarações internacionais de direitos humanos e de gênero.
A Carta prevê ainda que a eleição dos integrantes da Assembléia Legislativa "garantirá a participação proporcional das nações e dos povos indígenas". O trecho é considerado controverso porque não se sabe como se dará a proporcionalidade.
A Bolívia tem grande população indígena urbana, concentrada no altiplano, e grupos menores rurais espalhados nas chamadas terras baixas.
O vice-presidente Álvaro García Linera via na proporcionalidade, em dezembro, uma demanda dos povos minoritários difícil de pôr em prática, dado que 62% da população se autodeclara indígena.
Fonte: Folha de São Paulo, 21.01.2008, ou:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2101200805.htm