É HUMILHANTE DEMAIS. E O PIOR É QUE O PT E LULA PROMETARM QUE DVERIAM CHEGAR AO PODER OS POBRES TEREM VEZ E VOZ

NÃO FOI SÓ LETÍCIA SABATELLA QUE CHOROU ONTEM, COM A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), QUE NO FUNDO SÓ RATIFICA A DECISÃO DO GOVERNO LULA. CHORAMOS MUITOS DE NÓS, DE FRUSTRAÇÃO E COM O SENTIMENTO DE IMPOTENCIA DIANTE DE POLÍTICOS QUE GOVERNAM PARA OS GRANDES E PODEROSOS DO CAPITAL E DO LUCRO. MAS ESTÃO DE PARABÉNS A BELA E COMPROMETIDA LETÍCIA E TANTOS OUTROS, FAMOSOS OU ANÔNIMOS - IGUAIS LUTADORES DO POVO - QUE SE SOMARAM À ESSA LUTA. SÃO SONHOS E LUTAS COMO ESSA QUE DIGNIFICAM A NOSSA VIDA. OS POLÍTICOS VENDIDOS E FALSOS COMO ESSES PETISTAS NO GOVERNO PASSARÃO. E NÓS, PASSARINHOS - COMO DISSE QUINTANA - PEQUENOS, MAS LIVRES E ALEGRES.

VALEU, DOM LUIZ CAPPIO! VALEU, COMPANHEIROS QUE ESTIVERAM NESSA LUTA!

[Florêncio Vaz] 

Fernando Donasci/Folha Imagem

O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, 61, sai de maca da igreja de São Francisco, em Sobradinho (540 km de Salvador)

O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, 61, sai de maca da igreja de São Francisco, em Sobradinho (540 km de Salvador)

Fonte da foto: Folha de São Paulo, 20.12.2007

O JEJUM DO BISPO E A ESPERANÇA DO POVO EM SOBRADINHO - O TESTEMUNHO DE QUEM ESTEVE LÁ

OS ALGOZES e a  HISTÓRIA

(Carta aberta ao Presidente Lula)

 Além do slogam que virou mantra: “São Francisco vivo: terra, água, rio e povo”, duas frases ecoam nas bocas e mentes de todos quantos chegam ou permanecem em Sobradinho: “um dia a mais é um dia a menos” e “tudo pode acontecer em Sobradinho”. De fato Sobradinho é uma caixa de surpresas, mas nada será como antes depois de Sobradinho. Isso vale para o governo Lula, para os movimentos sociais, para a Igreja Católica, para os artistas, para os intelectuais, para o PT, enfim...Mas o que acontece de tão marcante em Sobradinho, além do fato de ali jejuar e talvez ali perecer o bispo franciscano D. Luiz Flávio Cáppio?

Os intelectuais pouco recorrem à metáfora. Milton Santos era intelectual e abusando do seu brilhantismo, muitas vezes, recorria à metáfora. Nas suas últimas obras, apontava a importância para a história dos “homens lentos”. Quem era o homem lento do qual tratava Milton Santos? Ele está em toda parte e cada vez mais aumenta em número. Aliás, como dizia João Guimarães Rosa pela boca de Riobaldo-Tatarana: o sertão está em toda parte. E o sertanejo também. Em Sobradinho, ele não só é presença como ousa mostrar a cara e dizer que não quer se equiparar, forçosamente, aos homens galopantes, representantes do capital que a tudo destrói e a tudo consome. Ele defende uma outra lógica.

O que se afirma em Sobradinho é isso. Homens dizendo que querem as coisas de outro modo, de outro jeito, com outra cara. Eles dizem que há uma outra forma de fazer as coisas, de lidar com terra, de usar a água, de conviver com o semi-árido... Em suma: que um outro mundo é possível. O bispo D. Luiz Flávio Cáppio, através de seu sacrifício e gesto extremado, está expressando isso. Não é por outra razão que acorrem a Sobradinho tantos homens e mulheres que, se não são lentos na definição miltoniana, defendem a premissa da lentidão como resistência, como desobediência, como civismo.

Estive em Sobradinho. Foram oito dias (6 a 14 de dezembro) intensos e ricos em experiências. Guardada a distância no tempo e as circunstâncias históricas, Sobradinho faz lembrar Canudos. A Belo Monte de Conselheiro. Em Sobradinho como em Canudos encontra-se devoção, fé, mística, esperança. Como Canudos, Sobradinho é fruto da incompreensão, do silêncio, da mentira, das intrigas dos poderosos, das promessas não cumpridas.

Não faz muito tempo, uma “liderança” do PT disse-me que a Transposição será a Brasília de Lula. Quem conhece minimante o projeto sabe que será sua Transamazônica. Sobradinho nos coloca uma equação: a Nova Canudos X a Nova Transamazônica. Através da Transposição, Lula quer marcar seu nome na história. Qualquer que seja o desfecho de Sobradinho, D. Luiz Cáppio já adentrou às páginas da nossa história (e da Igreja). Quem lembra de Prudente de Morais, do Conselheiro Luiz Viana, do Barão de Jeremoabo e tantas outras tristes figuras que estiveram no centro ou tramaram o massacre de Canudos? Quem esquece Antônio Conselheiro? Ao andar da carruagem, quem se lembrará, no futuro, de Geddel, Jaques Wagner, Lula da Silva? Eles serão apenas os algozes do Frei imolado em Sobradinho. Quem viver verá.

 Ely Souza Estrela – Professora da Universidade do Estado da Bahia - Campus V -  <elyestrela@bol.com.br>

Índios matam 4 homens a pauladas, diz PM

Vítimas tinham ido resgatar trator da prefeitura de Cachoeirinha (TO); veículo teria sido tomado pelos apinajés há duas semanas

Servidores estavam com armas, mas foram cercados pelos indígenas e mortos com golpes de burdona, um artefato de madeira

MATHEUS PICHONELLI
JOÃO CARLOS MAGALHÃES

DA AGÊNCIA FOLHA

Quatro homens foram mortos a pauladas por índios apinajés, anteontem à tarde, na aldeia Buriti Comprido, em São Bento do Tocantins, no norte do Tocantins, segundo informações da Polícia Militar.
As mortes ocorreram, de acordo com a PM, depois que as vítimas entraram na aldeia para reaver um trator da Prefeitura de Cachoeirinha.
O veículo havia sido tomado pelos índios há cerca de duas semanas, quando levava palhas de babaçu -fornecidas pela prefeitura- para a construção de ocas. A polícia disse que o ato foi uma forma de pressionar a administração local a providenciar a instalação de energia elétrica na aldeia.
Os índios pediam ainda a reconstrução de uma ponte próxima à aldeia, que havia sido queimada em um protesto contra a falta de energia elétrica.
O prefeito de Cachoeirinha, segundo a PM, negociava com as lideranças da aldeia a liberação da máquina, por intermédio da Funai e da Polícia Federal. A reportagem não conseguiu confirmar essa informação com a PF. A Funai informou que vai esperar o relato dos funcionários para apurar o que aconteceu. Ressaltou que as vítimas cometeram ato ilegal ao entrar na aldeia sem autorização e que, como estavam armados, os índios provavelmente agiram em legítima defesa.
Ainda de acordo com a PM, foi o prefeito de Cachoeirinha, Messias de Oliveira (PT), quem elaborou um plano para resgatar o trator. A missão foi delegada a um cunhado dele, Joel da Mota Reis, que chamou um lavrador e quatro servidores da prefeitura para ajudá-lo, disse o tenente Ademar de Souza Parente, da PM de Araguaína.
No sábado, enquanto cerca de 150 índios assistiam a um jogo de futebol contra integrantes de outra aldeia, dois veículos foram deslocados até o local. Uma Kombi, onde estavam o prefeito e seu cunhado, estacionou à entrada da aldeia, enquanto os funcionários da prefeitura seguiram em um outro veículo, levando armas e uma cópia da chave do trator.
Um dos servidores ligou a máquina e deixou o local. Os demais -Silveira Cordeiro da Silva, Valfredo Rodrigues Ferreira, Gutierrez Leônidas de Souza e Jonas Pereira dos Santos- ficaram para dar cobertura. Deram tiros para o alto, mas foram cercados pelos índios. Morreram com golpes de burdona, um artefato de madeira usado como porrete.
Segundo a PM, o prefeito e o cunhado fugiram da cidade após o incidente e não haviam sido encontrados até o final da tarde de ontem. Parte dos índios fugiu para a mata e era procurada até a tarde de ontem.
Quando a PM e a Polícia Federal chegaram à aldeia, só havia cinco pessoas no local. A polícia recolheu três revólveres e três espingardas.
De acordo com a Funai, cerca de 50 índios vivem na aldeia.
Segundo o antropólogo Gilberto Azanha, do Centro de Trabalho Indigenista, os índios apinajés são "tranqüilos" e, para que houvesse tal reação, os servidores deveriam estar armados -o que a PM confirma.
Azanha disse que a Funai deve agora enviar advogados ao local para apurar o caso. Ele acredita que dificilmente os autores do assassinato serão identificados. Se houver identificação, um inquérito deverá ser instaurado pela PF. A legislação penal permite que índios sejam condenados pela Justiça, mas é preciso provar que o réu conhecia a lei que foi violada.

Fonte: Folha de São Paulo, 17.12.2007

POVOS INDÍGENAS NO CEARÁ
Ceará - ITAPIPOCA

Povos indígenas definem pauta de reivindicações

Rita Célia Faheina - enviada a Itapipoca

Representantes de povos indígenas do Ceará encerram assembléia geral, em Itapipoca, com reivindicações nas áreas de saúde, educação, terra e política indigenista

15/12/2007 00:07

Nada de auditório entre quatro paredes. Foi debaixo de uma frondosa mangueira, na aldeia Buriti dos tremembé de Itapipoca, Região Norte do Estado, que representantes de 12 povos indígenas do Ceará debateram, articularam e deliberaram questões da terra, saúde, educação e política indigenísta. Num grande círculo, em torno da árvore, eles concluíram, ontem, no fim da manhã, o relatório da XIII Assembléia Estadual dos Povos Indígenas no Ceará. Documento escrito à mão? De jeito nenhum. Dois índios de diferentes etnias usaram notebooks para digitar as propostas e imprimir em papel que leva a marca da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).

Representantes dos anacé, jenipapo-kanindé , jucá, kalabaça, kanindé, kariri, pitaguary, potiguara, tabajara, tapeba, tremembé e tubiba/tapuia já utilizam a tecnologia dos brancos, mas fazem questão de manter seus costumes, seus rituais e símbolos. Depois de ler o relatório final, Eliane da Silva Gomes, a Eliane Tabajara, do município de Poranga, agradeceu ao "pai Tupi e a todos os encantados de luz por terem dado forças para realizar a assembléia, por estarmos com saúde e com muitas propostas de trabalho para nossas aldeias". Os encantados de luz, segundo Eliane, são os espíritos dos antepassados. "Sentimos suas presenças entre nós para nos fortalecer", disse.

Rituais, como a dança, as falas e a cultura das aldeias foram apresentados todos os dias desde o último domingo, 9, quando começou a assembléia. Esse avanço no uso da tecnologia e na educação, sem esquecer as origens, foi destacado pelo historiador Alexandre Gomes, do Museu do Ceará, que também participou do encontro que se realiza anualmente sempre nos dois últimos meses do ano. "Os índios do Ceará sabem o que querem e é nosso dever lutarmos com eles por suas causas". Ele disse que não basta pesquisar os aldeamentos, "o nosso papel é muito maior. Os índios estão organizados e precisamos nos envolver nessa luta, principalmente na questão da terra", disse.
Funasa
A representante do distrito sanitário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Ana Parente, disse ontem que o órgão faz o que está dentro de suas condições para atender aos povos indígenas. Reconheceu que há ações que ficam sem ser executadas porque não dependem só do órgão federal. "Mas, queremos ouvir propostas de vocês para podermos avançar. Políticas de saúde, da terra, estratégias de trabalho. Aprendemos muito com vocês", completou.

No relatório final da assembléia, organizada pela Apoinme, constam propostas relacionadas à terra, saúde, educação e política indigenista. O professor Weiber Tapeba, da localidade de Lagoa dos Tapeba, em Caucaia, diz que na área educacional, os mais importantes projetos são a criação do Conselho Estadual de Professores Indígenas, concurso público específico para os índios e a criação do curso de Licenciatura Intercultural dos professores indígenas.

Referente à terra, os 250 participantes da assembléia decidiram encaminhar proposta às autoridades governamentais pedindo a anulação das autorizações de projetos imobiliários nas áreas indígenas, a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), a proibição da venda da terras que consideram suas de direito e a formação de Grupos de Trabalhos (GTs) para a identificação, demarcação e homologação de seus territórios. Querem ainda o cadastro (ou um censo) dos povos indígenas do Ceará.

Quanto à saúde, pedem a estruturação dos postos de atendimento, ampliação do programa Farmácia Viva, presença dos profissionais da Funasa nas áreas com escassez de água e contrato dos que trabalham voluntariamente na área sanitária. No quesito política indigenista, decidiram por lançar candidatos na política partidária municipal para que, se eleitos, lutem pela reconquista dos seus direitos. "Aqueles que não cumprirem suas promessas serão punidos", disse Eliane Tabajara. O próximo encontro será no fim de 2008, no município de Poranga.

Fonte: enviada por  "Carmen Lúcia Silva Lima" <carmensllucia@ibest.com.br>

NOTÍCIAS URGENTES DESDE SOBRADINHO: O QUE FAZER EM SOLIDARIEDADE AO POVO DO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO E EMDE FESA DO RO SÃO FRANCISCO

Sobradinho, 15 de dezembro de 2007

 

Estou em Sobradinho, BA em solidariedade 

à luta pela defesa do rio São Francisco e a Dom Cappio,

que nesse momento é símbolo dessa luta.

 

Dom Luiz Cappio já está dezenove dias em jejum e oração como forma de protesto contra a transposição do Rio São Francisco.

 

Frei Cappio já apresenta sinais de fraqueza física, contudo está firme e sereno. O  governo continua sem admitir negociação que paralise as obras, interrompidas por determinação judicial desde o último dia 12 por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que concedeu liminar contra o Conselho Regional de Recursos Hídricos (CNRH) e determinou a suspensão das obras do projeto no dia 11/12.

É importante articular e participar de uma série de propostas:

1)    Participar e promover jejum na próxima segunda-feira, 17 de dezembro, como parte da campanha nacional “Dia Nacional de Vigília e Jejum Solidário” proposto pela CNBB;

2)    Divulgar o manifesto de apoio à luta contra a transposição em anexo;

3)    Brasilia: Será realizada vigília na praça dos três poderes e no TRF – Tribunal Regional Federal (Brasília), onde o governo recorre contra a decisão por liminar de interromper a obra, dos dias  17 a 19 que será julgada a ação do governo. Quem for de Brasilia ou proximidade, ou puder mobilizar personalidades, políticos e artistas. E muito importante:

4)    Fazer vigílias na terça-feira e quarta-feira no TRF dos estados e nas capitais, de apoio à luta e para pressionar o STF;

5)    Seguir com a campanha para que personalidades e dirigentes, não só do Brasil, visitem o bispo e enviem apoio;

6)    Realizar ações de divulgação com panfletos e materiais da campanha contra a transposição e solidariedade a luta de Dom Luiz Cappio, em especial nas grandes cidades;

7)    Divulgar os materiais disponíveis na página da campanha (www.umavidapelavida.com.br) assim como do jornal Brasil de Fato (www.brasildefato.com.br) que tem dedicado um espaço especial para o tema.

Em anexo texto Manifesto Contra a Transposição; a Nota do CONSEP da CNBB; e texto Presidente Lula e D. Cappio

 

Paz e Todo Bem!

Frei Rodrigo Peret, ofm

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