"Não existiu outro líder como Jorge Terena. Além de embaixador de seu povo e
de todos os índios brasileiros, era um ambientalista com visão estratégica.
Pessoalmente, tenho tido nele um grande parceiro e amigo desde os anos 80.
Viajamos juntos a inúmeros países e sua fala mansa mas direta, inclusive em
inglês, supreendia diplomatas e jornalistas. Na simplicidade de sua casa,
ele gostava de receber amigos, para longos almoços com a família dele. Uma
figura única e excepcional. "(Roberto Smeraldi)
Indio com diploma não é indio?
31/8/2006 - Jorge Terena - Publicado na Revista Galileu - Brasil
Algumas pessoas ainda acham estranho um índio ter bacharelado, mestrado e
doutorado, mas muitos deles já são formados em áreas como história, direito,
ciências sociais, engenharia, pedagogia e outras. A maioria dos que
conseguiram essa formação não tiveram ajuda do governo para tal, e continuam
não tendo.
Os estudantes indígenas às vezes passam por dificuldade nas cidades, mas por
compromisso com suas comunidades insistem em adquirir ferramentas
científicas e tecnológicas. Isso os permite discutir de igual para igual com
os governos um planejamento de políticas públicas indígenas condizente com a
realidade. Mas por que tanta dificuldade para ajudar um pequeno número de
indígenas a concluir os estudos? Índio não precisa estudar?
Há 20 anos, o governo militar achava que lugar de índio era só na aldeia e
queria mandar os estudantes indígenas de Brasília de volta para casa. Na
época, os alunos adotaram uma frase de protesto: "Posso ser o que você é sem
deixar de ser o que sou!". Contudo, a visão de que o índio que sai da aldeia
abandona a própria cultura ainda persiste como preconceito. Ele não pode ter
diploma e continuar sendo índio?
As escolas indígenas têm várias faces hoje. Podem ser mera imposição de
modelos educacionais ou podem adotar métodos que não desprezam o pluralismo
e a identidade cultural dos povos. Por isso é preciso fazer uma distinção
entre educação indígena e a educação escolar indígena.
A educação indígena é o processo com que cada povo transmite conhecimento
(em língua nativa) para garantir a sobrevivência e a reprodução cultural.
Não é uma educação dentro de quatro paredes como todos estão acostumados,
mas uma educação cotidiana. Quando um pai indígena leva o filho para caçar
ou coletar material de artesanato, a criança passa por um processo de
transmissão cultural de valores, história e crenças.
Já a educação escolar indígena deve congregar tanto o conhecimento
tradicional dos povos quanto a cultura técnica e científica da sociedade
brasileira como um todo. Um choque entre as educações escolar e indígena se
deu por conta da existência de concepções de mundo diferentes.
A educação escolar seguia modelos dominantes, num incentivo à acumulação de
bens, à competição e ao individualismo, contrária aos processos pedagógicos
dos povos indígenas, que enfatizam diferentes formas de organização social.
Mas a educação escolar indígena deve servir como um instrumento a serviço da
autonomia de cada povo, que deve decidir o que é uma escola verdadeiramente
indígena.
É difícil para o Ministério da Educação integrar ações de ensino indígena
nos três níveis de aprendizado. Se a educação escolar indígena ainda é
capenga, imagine a superior. Existem algumas poucas experiências em
universidades com licenciaturas específicas para atender à demanda de
estudantes indígenas por cursos superiores. Mas será que estes cursos podem
ajudar a solucionar os problemas enfrentados pelos povos no cotidiano?
Como os índios têm dificuldades para ingressar em universidades públicas,
eles estão buscando o ensino particular, e a Funai não dispõe de verba para
atender à demanda. Só um sistema integrado de educação escolar indígena,
desde a educação básica até a superior, poderá garantir os princípios da
especificidade, diferenciação e autonomia, que respeite a diversidade
cultural, lingüística e as pedagogias próprias dos povos indígenas.
Jorge Terena é Sociólogo formado pela Universidade de Maryland (EUA),
integrante do povo Terena (MS) e consultor etnoambiental da Coiab
(Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira)
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Davi Kopenawa é ameaçado de morte por fazendeiro em Roraima O líder Yanomami Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), enviou carta ao Procurador Geral da República de Roraima, Antonio Morimoto, pedindo proteção e garantias de vida diante de ameaça que teria sido feita por fazendeiro da região de Ajarani, que se localiza na Terra Indígena Yanomami |
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Uma das mais importantes lideranças do povo Yanomami, Davi Kopenawa, está sob ameaça. Por conta da denúncia, feita por padre Laurindo, da Missão Catrimani (RR), Davi kopenawa encaminhou, ontem (8/11), carta ao Procurador Geral da República, em Roraima, pedindo investigação e garantias de vida. Leia abaixo a íntegra do documento. |
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DEPOIS DO MEXICANO "JUAN DIEGO" (AQUELE PARA QUEM A VIRGEM DE GUADALUPE APARECEU NO INÍCIO DA COLONIZAÇÃO), QUE FOI FEITO SANTO FAZ POUCOS ANOS, AGORA E A VEZ DE UM JOVEM QUE MORREU COM 18 ANOS SER CONSIDERADO "BEATO", QUE É UM PASSO ANTES DA "CANONIZAÇÃO" (SANTIFICAÇÃO). O QUE ISSO IMPORTA? QUE A IGREJA AOS POUCOS, MAS BEM LENTAMENTE, RECONHECE QUE PODEMOS SER CRISTÃOS E CONTINUAR SENDO "INDÍGENAS". ANTERIORMENTE, OS MISSIONÁRIOS PRETENDIAM APAGAR QUALQUER TRAÇO DA NOSSA INDIANIDADE (CULTURA, ESPIRITUALIDADE, VALORES ETC.) ATRAVÉS DA CATEQUESE. [Florencio vaz]
A Tarde, Salvador, BA, 11/11/2007
Vaticano beatifica seu primeiro indígena na América do Sul
AFP
Ceferino Namuncurá se tornou neste domingo o primeiro indígena a ser
beatificado na Argentina e na América do Sul, em uma cerimônia
presidida pelo secretário do Vaticano, Tarcisio Bertone, em Chimpay,
cidade natal do nativo mapuche, na Patagônia.
"Ceferino é beato!", disse o secretário de Bento XVI, a uma multidão
-de 120.000 pessoas, segundo a Polícia- que respondeu com uma salva de
palmas emocionada, no santuário na província de Río Negro. O texto da
beatificação foi lido em espanhol e mapuche.
Em seu Angelus deste domingo na Praça de São Pedro, Bento XVI pediu
que Ceferino "interceda" pela Argentina.
Ceferino fez o milagre que decidiu sua beatificação com Valeria
Herrera, de 31 anos, que hoje foi à capela do santuário em Río Negro.
Herrera soube que tinha câncer de útero no ano 2000 e, desesperada,
lembrou da devoção de sua avó por Ceferino, a quem rezou para que
pedisse a Deus por sua saúde.
"Precisas do milagre, então faça-o comigo porque sabes que tenho
trabalhado entre os seus (com missionária católica na África) e quero
continuar com isto. Me dê a mão, faça este milagre comigo", pediu
Herrera a Caferino.
Dois dias depois, os médicos constataram atônitos que o tumor havia
desaparecido.
O milagre foi decisivo para que o Papa firmasse, em julho passado, o
decreto de beatificação de Ceferino.
Para a cerimônia de hoje, quando são esperadas 100.000 pessoas, foi
montado um gigantesco palco que será ocupado por Bertone, o cardeal
primaz da Argentina, Jorge Bergoglio, e cerca de 50 bispos da América
Latina.
Ceferino nasceu em 26 de agosto de 1886, filho do cacique Manuel
Namuncurá, herdeiro do cacique Calfucurá.
Calfucurá foi um legendário chefe mapuche que liderou uma longa
resistência contra os colonizadores da Patagônia.
Durante uma sangrenta campanha militar - qualificada de genocídio
pelos historiadores - foram aniquilados ou expulsos de suas terras
milhares de mapuches, tehuelches e ranqueles, que até então dominavam
a Patagônia.
Aos 11 anos, Caferino pediu para ir estudar em Buenos Aires e entrou
para um colégio da comunidade dos Salesianos, onde aprendeu espanhol e
se adaptou a vida dos "brancos", mas sem renegar suas origens.
Ceferino, que queria ser padre, viajou ao Vaticano e conheceu o Papa
Pio X, antes de morrer em 1905 de tuberculose.
Os restos de Ceferino foram repatriados em 1924 e se encontram no
santuário de María Auxiliadora, em Fortín Mercedes, na província de
Buenos Aires.
[Pedro Ayres] [pedroayres@oi.com.br] [http://pedroayres.blig.ig.com.br]
Como um amazônida, paraense que sou, mais do que lamentar a morte de Jorge Terena, choro por nossa terra e por nosso futuro. Perdemos um grande lutador e exemplo, ficamos menores, mas ousaremos nos aproximar dele. Sua memória será o nosso guia.
12/11/2007 08:00
[Maria Lucia] [mlap@oi.com.br]
Como descendente de puris venho chorar a morte de um irmão tão brilhante,generoso,bravo e forte. Compartilho com a aldeia e os parentes de Jorge Terena a dor da saudade. Sigamos o rumo que ele traçou em homenagem a sua memória. Abraços Maria Lucia
12/11/2007 00:08
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