FUNAI ABANDONA CACIQUE ANICETO XAVANTE EM BRASÍLIA
Funai alega problemas burocráticos e deixa cacique Aniceto Tsudzavéré, 80 anos, vagando pelas ruas de Brasília em busca de comida e hospedagem.  Três semanas atrás, o índio se encontrou com Lula
 
Paloma Oliveto

Há três semanas, o cacique Aniceto Tsudzavéré conversava, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Há dois dias, perambulava pela Asa Sul, procurando um lugar para dormir.  Um dos líderes xavantes mais reconhecidos no Brasil e no mundo, o cacique não conseguiu que a Fundação Nacional do Índio (Funai) fornecesse alimentação e hospedagem para ele.  Não fossem R$ 30 doados pelo cineasta Armando Sampaio Lacerda, diretor do filme Juruna, o Espírito da Floresta, ele teria passado a noite no pátio externo da Funai ou em alguma parada de ônibus.  Aniceto tem 80 anos.
O cacique chegou à capital às 9h30 de terça-feira para conversar com o presidente da Funai, Márcio Augusto de Meira.  Viajou 10 horas de ônibus, desde Barra do Garças (MT), onde mora, na reserva São Marcos.  Veio relatar a situação de seu povo que, segundo Aniceto, passa fome e enfrenta problemas de saúde, como desnutrição.  Ele mesmo não está bem.  Fumante, o cacique pegou pneumonia dupla.  Por causa da viagem cansativa, sente dores pelo corpo.  Mas não tem dinheiro para comprar remédio.
Aniceto sente-se desrespeitado.  “Eu não sou qualquer um”, repete.  Juntamente com Mário Juruna, morto em 2002, o cacique foi um dos responsáveis pela homologação da reserva.  Na década de 1970, percorreu a pé os 633km que separam Barra do Garças de Brasília.  Veio conversar com o então presidente, general Emílio Garrastazu Médici.  Furou a barreira de seguranças e conseguiu que o ditador militar assinasse o decreto de homologação da área, que tem 188 mil hectares.  “Naquela época, os fazendeiros invadiam nossa terra para fazer pasto.  Os bois comiam nossa plantação”, recorda.  Hoje, diz o cacique, não há problemas com produtores rurais.  “O problema é a Funai”, acusa.
O xavante, que deve ir embora de Brasília hoje, diz que deixa a capital entristecido.  “Na terça-feira, passei o dia inteiro nessa Funai, tentando conseguir dinheiro para comer e um lugar para dormir.  Meu corpo todo está doendo.” Ontem, acompanhado pela reportagem do Correio, Aniceto voltou ao órgão e conseguiu ser recebido.
No Serviço de Atendimento ao Índio em Trânsito, a servidora Hilda Araújo Azevedo explicou ao índio que, para receber auxílio da Funai, é necessário que a administração regional solicite o recurso à sede.  De acordo com a fundação, o pedido não foi feito.  “Eu falei que vinha, sim.  É muita falta de respeito.  Eu tenho 80 anos, sou reconhecido pelo mundo”, lamenta.  “Toda vida, a Funai tenta dobrar meu pescoço.  Mas não vai conseguir.  Não estou lutando por mim.  É pelo meu povo.”

Desprotegidos

De acordo com Aniceto, com a reestruturação da Funai, os índios ficaram desprotegidos.  O órgão contava com 45 administrações regionais e 337 postos indígenas.  Com as mudanças, anunciadas neste ano, o número de administrações regionais passou para 12.  Foram criadas outras 39, locais, mais 315 postos.  Por meio da assessoria de imprensa, a Funai informou que a idéia foi descentralizar as decisões, aproximando mais as administrações dos índios.  O xavante não concorda.  “Primeiro, nenhum líder foi consultado.  Segundo, porque não é descentralizaçã o.  Isso só afasta mais a Funai dos índios”, diz.
Na reserva, onde vivem 4 mil índios, faltam sementes para plantio, de acordo com o cacique.  “Só conseguimos plantar milho e feijão.  Precisamos plantar abóbora, batata, inhame, melancia.  Não é para vender, é para as pessoas comerem.  Os índios estão passando fome.  Não têm ferramenta para mexer na terra”, reclama.  Outro problema relatado pelo xavante é que, há cinco meses, os índios deixaram de receber cestas básicas, distribuídas às famílias desde o ano passado.  O presidente da Funai prometeu resolver o problema.  “Não vai resolver nada”, diz, descrente.
Para Aniceto, só o presidente Lula pode mudar a situação.  No II Encontro Nacional dos Povos da Floresta, que ocorreu há duas semanas no Teatro Nacional Claudio Santoro, o cacique se aproximou do presidente.  “Contei pra ele tudo.  Ele disse que não sabia, que essas coisas não chegam nele.  E que ia dar um puxão de orelhas no Ministério da Justiça”, conta.
fONTE: http://www.amazonia .org.br/noticias /noticia. cfm?id=254077
EM DEBATE: O RACISMO CONTRA NEGROS NA BAHIA E NO BRASIL

A MATÉRIA "Aberta a temporada de caça aos negros e pobres em Salvador" SUSCITOU COMENTÁRIOS INTERESSANTES. TEM UM QUE EXAGERA ATÉ, DIZENDO QUE O BRASIL JÁ SUPEROU O RACISMO, ATRAVÉS DA MISCIGENAÇÃO, E QUE "MULATOS" OU NEGRAS COM DENTES BRANCOS SÃO ALGO A SER CELEBRADO, ADMIRADO ETC. BEM, PARA QUEM VIVE EM SALVADOR, A CIDADE MAIS "AFRO" NO BRASIL, AS COISAS PARECEM BEM DIFERENTE. EM TODO CASO, O DBATE É SAUDÁVEL, POR PERMITIR EXPRESSAR OPINIÕES DIVERSAS.[Florencio]

[ediney] [http://edineysantana.zip.net]
há uma canção que diz " Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia" É essa laegria cretina tem seus agentes covardes que agem com as benções da sociedade podre, rica e geralmente braca de salvador
02/10/2007 09:55

 [Angela Ursa] [http://ursasentada.blogspot.com]
Terrível isso! Uma verdadeira selvageria! Espero que tomem providências logo. Abraços!
04/10/2007 01:33

 [guilherme] [geve@matrix.com.br] [blog do geve]
Vamo parar com este negócio de negro-pobre-excluído. Crimes existem contra pretos e brancos. O Brasil é O único país do mundo que conseguiu superar anos de escravidão integrande, através da miscigenação pretos e brancos. Nossa situação é única. Falar de massacre de negros (negro é termo dos norte-americanos: no Brasil são pretos, morenos,mulatos - quer coisa mais bonita que uma preta com os dentes bem brancos como estas que povoam a Bahia) é disseminar o racismo, há muito superado nestas bandas.
06/10/2007 02:43

O PAC PARA OS INDÍGENAS É NOTÍCIA NO "LE MONDE"
11/10/2007
O plano brasileiro de ajuda aos índios é recebido com cautela
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Annie Gasnier
Correspondente no Rio de Janeiro


O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do seu segundo mandato, em janeiro, terá um capítulo específico destinado aos índios: 195 milhões de euros (cerca de R$ 500 milhões) serão investidos daqui até 2010 em benefício das populações indígenas. Esta quantia vem se acrescentar ao orçamento anual de 385 milhões de euros (cerca de R$ 980 milhões) que já vem sendo dedicada a eles. O Brasil recenseou 730.000 índios, dos quais a metade vive da maneira tradicional, em tribo.

Em São Gabriel da Cachoeira (AM), uma cidade de 35.000 habitantes índios, que fica a três dias de navegação de Manaus, no Rio Negro, o presidente Lula revelou, no final de setembro, uma agenda destinada a "garantir os direitos, a proteção das terras e a promoção social dos índios". Está prevista a implantação de infra-estruturas, que permitirão a chegada da eletricidade e do saneamento básico às aldeias. O governo anuncia ainda a construção de um terminal portuário para São Gabriel, a recuperação da rodovia BR-307 e a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia. Além disso, também está previsto catalogar as vinte línguas ameaçadas de extinção e oferecer aos índios, com a chegada da eletricidade, o acesso à Internet ou à televisão.

Sérgio Lima/Folha Imagem - 18.abr.2004  
Líder indígena deixa o Congresso depois de reunião com deputados em 2005

"Esta agenda social valoriza o movimento indígena, que não está mais sob tutela, e sim associado ao programa", garante Marcio Meira, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), a interface entre o governo e os indígenas. "Ela corresponde às principais reivindicações que foram feitas durante a Conferência Nacional dos Povos, em 2006", diz.

O anúncio surpreendeu membros do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), um órgão consultivo que foi implantado em 2007, e que reúne representantes de tribos, de organizações não-governamentais (ONGs) e da Funai. "O presidente Lula está tentando se redimir de ter se esquecido dos índios, após ter declarado que eles representam um entrave para o crescimento, por meio de um conjunto de projetos antigos ou pouco convincentes", diz Saulo Feitosa, do Conselho Indígenista Missionário (CIMI), um organismo vinculado à Igreja católica.

Marcio Pereira Gomes, um antigo presidente da Funai, estimava que no Brasil os índios tinham terras em excesso. As suas reservas ocupam 12,5% de um território nacional de 8,5 milhões de km2 (17 vezes a França). Entretanto, a delimitação das terras e a sua proteção contra as invasões continuam sendo problemas de marca maior. Assim, plantadores de arroz instalados ilegalmente na reserva Raposa Serra do Sol (no Estado de Roraima) se recusam a deixar o local em troca de uma indenização, conforme ordenou a justiça, enquanto a Polícia Federal não ousa intervir. No Mato Grosso, um Estado agrícola onde os conflitos com os fazendeiros são muitos, trinta índios foram assassinados nos últimos meses, segundo o CIMI. As autoridades desejam retirar das reservas 9.000 famílias de pequenos camponeses, oferecendo-lhes uma indenização.

O programa governamental propõe delimitar 127 territórios, mas o CNPI recenseou mil litígios relativos à posse de terras. "O presidente referiu-se a centrais hidrelétricas, mas nós queremos ser associados aos inquéritos que determinarão o seu impacto sobre o meio-ambiente, e dispor do poder de nos opor a esses projetos", reivindica Sandro Tuxa, em nome da Coordenação dos Povos Indígenas do Nordeste. Em 1987, o território dos Tuxa foi inundado pela barragem da central de Itaparica (Pernambuco). Vinte anos depois, as indenizações ainda são objetos de discussão. "O nosso povo dividiu-se em três comunidades, e nós interrompemos todos os nossos rituais em volta do rio, que morreu para nós uma vez que ele se tornou um lago", explica Sandro Tuxa.

Outros índios temem que haja um aumento das incursões de garimpeiros, de exploradores de madeira ou de simples pescadores. "Nós não temos meio algum, nem canoas, nem jipes, nem armas, para nos defender, e a delegacia de polícia se encontra a vários horas de caminhada", denuncia Kadjy-re, o chefe de uma tribo Kayapó de 900 pessoas, no Mato Grosso. As tribos sonham wem obter a autonomia, só que amparadas por projetos respeitosos da natureza. "Nós não queremos ser um fardo para a sociedade", comenta Sandro Tuxa.

Tradução: Jean-Yves de Neufville
Visite o site do Le Monde Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2007/10/11/ult580u2709.jhtm
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