VIGÉSIMO INDÍGENA É ASSASSINADO NESTE ANO NO MATO GROSSO DO SUL NA LUTA PELA TERRA
OUTRA LIDERANÇA INDÍGENA ASSASSINADA NO MATO GROSSO DO SUL
Na noite de ontem, 8 de julho, foi assassinado o líder indígena Ortiz Lopes, 46 anos. Liderança do povo Guarani-Kaiowá , Ortiz sempre esteve à frente das lutas pela recuperação de suas terras, já havia sobrevivido a outro atentado e vivia sob fortes ameaças de morte. Segundo depoimento da esposa de Ortiz Lopes, por volta das 18h30 do domingo, quando já estava escuro, um homem se aproximou da frente de sua casa, desejou boa noite e chamou por Ortiz. Ao perguntar quem era, a vítima se dirigiu à porta e foi recebida por tiros. Enquanto disparava sua arma, o assassino informou: “os fazendeiros mandaram acertar contas com você”.
Este é o 20o. assassinato no Mato Grosso do Sul em 2007. O total de asssassinatos já se igualou ao número registrado pelo Cimi durante todo o ano de 2006.
Em janeiro deste ano, juntamente com um grupo de 300 pessoas, Ortiz participou da retomada da terra indígena Kurussu Ambá, no município de Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. Uma semana depois, o grupo foi violentamente expulso do local por uma operação conjunta entre policiais militares e seguranças da fazenda Madama, uma das invasoras da terra indígena. Na ocasião, a líder religiosa Xurete Lopes, 70 anos foi executada em seu barraco na presença de seus familiares e o jovem Valdeci Ximenes, 22, ficou baleado. Estranhamente, nenhum agressor foi preso, ao passo que 12 indígenas, inclusive crianças, foram levados à delegacia de Amambai e 4 deles, as principais lideranças do povo, permanecem presos, acusados de roubo e invasão de terra.
Depois da expulsão, o grupo ficou acampado às margens da rodovia MS 289, município de Coronel Sapucaia. Como o cacique Francisco Ernandes encontra-se na prisão, Ortiz assumiu a liderança do grupo e no dia 6 de maio os Kaiowá realizaram mais uma ocupação da terra indígena Kurussu Ambá.
Para que os índios deixassem a área, foi feito um acordo verbal no qual o filho do dono da fazenda, na presença de policiais federais e de um representante da Funai, se comprometia em devolver as terras aos indígenas no prazo de um ano.
A gravidade do caso requer a imediata instalação de inquérito pela polícia Federal, medidas de proteção à integridade física de membros da comunidade e a imediata demarcação da terra indígena Kurussu Ambá.
Brasília, 9 de julho de 2007
Cimi – Conselho Indigenista Missionário
"CÉREBRODUTOS AO INVÉS DE GASODUTOS E GRANDES HIDRELÉTRICAS
Cérebrodutos' ao invés de gasodutos na Amazônia
6 / 7 / 2007
fonte: Valor Econômico
O foco da próxima reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, a SBPC, que começa Domingo, tem
por tema "Amazônia: desafio nacional". Ocorre em Belém, 25 anos depois do
último evento do gênero na capital do
Pará. Neste período, o físico Ennio Candotti, presidente da SBPC até
Quinta-feira (quando passará o cargo ao
também físico Marco Antônio Raupp, recém-eleito) viu se confirmarem os
piores prognósticos para a região - o
aumento do arco do desmatamento, a falta de integração com as comunidades
locais e desastres ambientais que se
anunciavam.
Candotti diz que o Brasil não sabe lidar com a Amazônia ("A lógica asfáltica
não cabe ali"), defende o
desmatamento zero e que a integração da América Latina comece por lá, unindo
ciência e educação. "É preciso
pensar em 'cérebrodutos' e não só em gasodutos'".
Prestes a embarcar para Belém, ele deu uma entrevista ao diário Valor
Econômico. A seguir, os principais trechos:
Valor: A última reunião da SBPC em Belém foi há 25 anos. O que ocorreu na
região neste período?
Ennio Candotti: Infelizmente, ao se analisarem os documentos da SBPC de
1983, percebe-se que as piores
projeções para a região se confirmaram. Os desastres ecológicos causados
pelas hidrelétricas e pela ocupação
desordenada; o avanço da faixa de desmatamento e as dificuldades de
integração social com as comunidades da
região. Isso era um quadro que já se prenunciava. Outra questão é a
dificuldade de
se criar uma elite local que não seja refratária a qualquer modernização. Os
grupos econômicos dominantes são
arcaicos e prepotentes. Quem denuncia algo, ou é processado ou ameaçado.
Valor: Este quadro pode mudar?
Candotti: Propostas de soluções existem. O desafio é colocar a Amazônia no
centro da agenda da ciência e
tecnologia, ela só é central na retórica. O desenvolvimento sustentável tem
que ser acelerado. Isto demora.
Leva tempo para ter formação de recursos humanos e gente que se fixe na
região. Mas é um processo que está
começando. O Estado do Amazonas investe em educação e pesquisa cem vezes
mais do que há cinco anos.
Valor: Os institutos de pesquisa da região, como o Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Museu
Goeldi ainda são centros de excelência?
Candotti: Sim, são muito ativos. O problema é que têm orçamentos de R$ 25 ou
30 milhões enquanto outros, como o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ganham dez vezes mais. E
aí acontece que 70% dos trabalhos de
pesquisa sobre os problemas amazônicos são assinados por pesquisadores e
instituições estrangeiras. Do Brasil,
são só 30% das pesquisas.
Valor: O Brasil do Sul e Sudeste sabe lidar com a Amazônia?
Candotti: Não tem o menor tato. Quer se colocar a lógica asfáltica para uma
região onde o que se precisa fazer
é melhorar o transporte fluvial. Ou, como está se discutindo, investir em
transporte ferroviário, de baixo
impacto e grande eficiência. Mas o que se quer é um tipo de desenvolvimento
que não cabe lá, e aí dá encrenca.
Estamos tentando, com esta reunião, abrir a reflexão para os planejadores.
Mostrar a Amazônia como ela é e soluções para viabilizá-la. Não se pode
querer asfaltar a Amazônia.
Valor: Que expectativa o sr. tem para a taxa de desmatamento na região no
futuro próximo?
Candotti: Defendo uma política de desmatamento radical, da árvore em pé:
taxa zero. Derrubar árvore do jeito
que se derruba é como ficar com o cascalho e jogar fora o ouro do garimpo.
Esta não é só uma imagem retórica.
Na árvore, nas folhas, nos frutos, nas flores, existem valores mais
importantes que nos poucos metros cúbicos
de madeira que se conseguem na derrubada. Temos que continuar com bons
projetos de manejo sustentável. O que
estou falando é do desmatamento para colocar gado ou soja. Isso é de uma
estupidez que não será perdoada no futuro.
Valor: E o sr. acha que o desmatamento está sob controle?
Candotti: Não depende de controle. Se dependermos da polícia, não
conseguiremos vencer a violência. É preciso
educar que a mata vale mais que duas cabeças de gado. Isto exige educação,
tecnologia, informação. Não se
consegue no grito.
Valor: O sr. defende a formação de quadros na Amazônia, fixando gente por lá
e atraindo jovens. Mas como, se
para muitos brasileiros, a Amazônia é outro país?
Candotti: Isso é o que não pode acontecer. Não há Brasil sem Amazônia. Ou
construímos uma nação que inclua a
região, ou estaremos construindo um monstrengo. Ou muda ou teremos uma nação
sem Amazônia. Não é possível
imaginar o Brasil sem Amazônia, mas a unidade nacional está ameaçada pela
falta de políticas públicas para a
região.
Valor: E como se faz?
Candotti: Temos que oferecer condições para que jovens trabalhem nos
laboratórios naturais, no gerenciamento
dos conflitos, em novas soluções. Deveríamos, nestes dias de conflito de
Mercosul, começar a resolver a questão
pelas universidades. Na formação de recursos humanos na região. Investir em
universidades para a grande Amazônia.
Valor: O que o sr. imagina?
Candotti: A mesma coisa que aconteceu na Europa, com estudantes italianos
indo se formar na Alemanha, franceses
na Inglaterra. Que um título dado em uma universidade da Venezuela valha
para o Brasil, que um estudante de
Manaus possa terminar seus estudos na Patagônia. Hoje não existe nenhuma
integração. Discute-se unidade
alfandegária, mas
não este ponto. Mas precisamos disso, ou nunca se dará a troca de
geladeiras, do comércio, outro país sempre
protestará sentindo-se menos favorecido. É preciso montar um gasoduto de
engenharia, de inteligência, de
cooperação de cérebros, um "céerebroduto". O que mais precisa a Bolívia hoje
em dia? De quadros qualificados
que possam colocar o país na economia moderna. É preciso lembrar que só uma
parte da Amazônia pertence ao
Brasil. Este me parece um belo objetivo para a região.
(reproduzido do sítio do deputado Fernando Gabeira)
OS SETE ERROS DOS QUE SÃO CONTRA COTAS PARA NEGROS E INDÍGENAS E O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL
7 (SETE) ERROS de muitos EQUÍVOCOS ... dos contrários a aprovação do PL 6264/2005 que institui o Estatuto da Igualdade Racial e do projeto de lei 73/99 que reserva vagas
para alunos da rede pública, negros e indígenas?
1º ERRO - Todos somos iguais perante a lei
Na área tributária a alíquota para os mais ricos é maior. Todos compreendem como uma atitude justa. Esta mesma compreensão deve prevalecer na relação pluri-étnica. O jurista Fábio Konder Comparato assinala que a igualdade deve ser material, além de (ser) formal. É de entendimento comum que as oportunidades são diferentes, inclusive, entre um pobre branco e um pobre negro... Tratar da mesma forma os desiguais acentua a desigualdade.
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
2º ERRO - Ódio racial:
As COTAS e o ESTATUTO irão, justamente, combater os desníveis sociais, causadores de grandes conflitos. Ex: Os cotistas convivem em harmonia nas 44 universidades e Instituições públicas que já adotam COTAS. E também nas 1380 particulares com COTAS do Prouni!!!.
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
3º ERRO - Classificação racial oficial dos cidadãos:
A classificação sempre existiu e só serviu para excluir.Vide Exército, Marinha e Aeronáutica Por que (porque) os negros não têm vez neste órgãos públicos? Não são promovidos? A autodeclaração vem justamente fazer o contrário: incluir. Criará instrumentos, dando ao Estado autoridade para exercer sua função de proteger os prejudicados pelo convívio desigual, nas universidades, no mercado de trabalho, etc.
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
4º ERRO – Criará o racismo:
Não se cria o que já existe. Vide o IBGE/2004: “Brancos ganham 105% a mais do que os negros” O Estatuto será um instrumento para combater o racismo que silenciosamente corroe o bom convívio entre os brasileiros. Neste caso, a iniciativa privada está saindo na frente do Estado. Vide reunião realizada pelas 500 maiores empresas do Brasil; Banco ITAÚ; etc
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
5º ERRO - “O certo seria investir em educação, ao invés de cotas”
Uma coisa não é contra a outra. As cotas são complementares às políticas universais. Elas vêm corrigir os erros causados por essas políticas. Segundo o IPEA desde 1929, todas as políticas universais implantadas no Brasil, não mudaram em um dígito o desnível entre Brancos e Negros. Somente após o movimento negro pautar as ações afirmativas, os chamados intelectuais saíram da sauna e dos clubes para debater a Educação. Um viva ao movimento Negro que luta por um Brasil melhor!
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
6º ERRO – Fere a Meritocracia (diminuição da qualidade acadêmica)
Pesquisas das universidades que adotaram cotas provam que os cotistas estão tendo desempenho igual ou melhor (do) que os que entram pelo sistema tradicional. Ex. UERJ, UNIFESP, PROUNI. Segundo o Jornal Estado de São Paulo de 22/12/2005 os alunos cotistas e os alunos do sistema tradicional tiram notas acadêmicas médias entre 8 e 8,5 no curso de Medicina da Universidade Federal de Medicina – UNIFESP.
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
7º ERRO – Fere a autonomia das Universidades
Defendemos a autonomia universitária em todos os campos, menos autonomia para excluir, como fizeram até agora. Deram as costas para os pobres e negros e estavam apenas alimentando, como disse ex- Governador de São Paulo, Claudio Lembo...“uma elite branca e “perversa” insensível com os direitos dos negros e indígenas.
Aprovação imediata do PL 6264/2005 - Estatuto da igualdade racial e do
PL 73/99 – reserva de vagas nas universidades publicas, já!
Você Sabia? Pesquisa Datafolha/julho 2006: 87% do povo brasileiro quer COTAS para NEGROS
e todos os demais EXCLUÍDOS.