Notícia:
Índios do Amazonas enfurecidos com a venda de amostras de sangue colhidas anos atrás - 20/06/2007 disponível em
http://www.amazonia .org.br/noticias /noticia. cfm?id=247384 Larry Rohter
Como os índios karitiana se recordam, os primeiros pesquisadores a extrair seu sangue vieram para cá no final dos anos 70, logo após sua tribo amazônica iniciar contatos constantes com o mundo exterior. Em 1996, outra equipe os visitou, prometendo medicamentos se os karitiana doassem mais sangue, de forma que obedientemente fizeram fila de novo.
Mas tais promessas nunca foram cumpridas e, de lá para cá, o mundo expandiu novamente para os karitiana com a chegada da Internet. Agora eles ficaram enfurecidos com uma simples descoberta: o sangue deles e DNA estão sendo vendidos por uma firma americana para cientistas de todo o mundo por US$ 85 a amostra. Eles querem o fim da prática e estão exigindo indenização pelo que descreveram como violação de sua integridade.
"Nós fomos enganados e explorados", disse Renato Karitiana, líder da associação tribal, em uma entrevista na reserva da tribo, no leste da Amazônia, onde 313 karitiana ganham a vida com agricultura, pesca e caça. "Tais contatos foram muito danosos para nós e estragaram nossa postura em relação à medicina e ciência."
Os índios suruí, cujas terras ficam ao sul daqui, e os ianomâmi, que vivem na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, se queixam de experiências semelhantes e dizem que também querem o fim da distribuição de seu sangue e DNA pela firma americana, a Coriell Cell Repositories, uma entidade sem fins lucrativos em Camden, Nova Jersey.
A Coriell armazena material genético humano e o disponibiliza para pesquisa. Ela diz que as amostras foram obtidas legalmente por meio de um pesquisador e foram aprovadas pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.
Joseph Mintzer, vice-presidente executivo da organização matriz, o Instituto Coriell para Pesquisa Médica, disse em uma entrevista por telefone: "Nós não estamos tentando lucrar com ou roubar os brasileiros. Nós temos uma obrigação de respeitar sua civilização, cultura e povo, o motivo de controlarmos cuidadosamente a distribuição destas linhagens de células".
Como um centro semelhante na França que também obteve amostras de sangue e DNA dos karitiana e outras tribos amazônicas, Coriell disse que fornece espécimes apenas para cientistas que concordam em não comercializar os resultados de sua pesquisa ou transferir o material para terceiros.
Os povos indígenas da Amazônia são ideais para certos tipos de pesquisa genética, porque são populações isoladas e extremamente fechadas, permitindo aos geneticistas a construção de um pedigree mais completo e rastrear a transmissão de uma doença por gerações.
Mas a prática de coletar amostras de sangue dos índios da Amazônia tem provocado muita suspeita entre os brasileiros, que são zelosos em relação ao que chamam de "biopirataria", desde que sementes de seringueiras foram exportadas da Amazônia há quase um século. O surgimento do mapeamento do genoma nos últimos anos apenas agravou tais temores.
Débora Diniz, uma antropóloga brasileira, argumenta que as experiências dos karitiana e de outras tribos mostram "como os cientistas ainda estão despreparados para um diálogo intercultural e como a ciência se comporta de forma autoritária com populações vulneráveis".
O centro do debate internacional que surgiu aqui tem a ver com o conceito de "consentimento informado". Os cientistas argumentam que todos os protocolos apropriados foram seguidos, mas os índios dizem que foram enganados para permitir que seu sangue fosse coletado.
(Continua no portal citado acima)
PRIMEIRO INDÍGENA DA AMAZÔNIA PERUANA A RECEBER O GRAU DE DOUTOR EN STANFORD
19 Junio 2007 12:17
El domingo último Miguel Hilario-Manënima, miembro del pueblo indígena amazonico Shipibo-Konibo del Perú obtuvo el grado académico de Ph.D. - equivalente al Doctorado - de la Universidad de Stanford, Estados Unidos.
Hilario es la primera persona de su etnia y también quizás la primera persona indígena amazónica en iberoamérica en lograr una distinción académica tan alta.
Miguel Hilario-Manënima nació en un bote cuando sus padres viajaban de una aldea a otra en la amazonia peruana. Cuando era joven aprendió a cazar con su padre y su abuelo.
En esa zona organizaciones misioneras americanas protestantes efectuaban labores de apoyo a las comunidades indígenas desde los años cuarenta. Cuando Miguel tenia doce años tuvo información acerca de la cultura occidental cuando observó una foto del contorno de New York, en una revista National Geographic, llevada por los misioneros.
Miguel Hilario-Manënima dejó su aldea para aprender español y asistir al colegio secundario en la ciudad amazónica de Pucallpa en el Perú.
Después de graduarse a los 16 años viajó a Lima donde sobrevivió comiendo alimentos sobrantes de restaurantes nocturnos. Entonces, una pareja de misioneros americanos le proporcionó trabajo y lo ayudó para que asista al Seminario Teológico Andino.
Continuação: http://www.servindi.org/archivo/2007/2252