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“O acampamento Terra Livre transformou-se em uma grande Assembléia Indígena”. Foi o que concluiu Uilton Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas e Espírito Santo, a Apoinme, uma das 13 entidades que, há quatro anos, organizam a maior atividade do movimento indígena nacional - o acampamento Terra Livre, na Esplanada dos Ministérios. Ao falar de assembléias indígenas, Uilton remete às grandes reuniões que congregaram povos de todo o País nos anos 1970 e que criaram bases para que o movimento conseguisse a garantia dos direitos destes povos na Constituição Federal, já na década de 1980. E é exatamente para defender a efetivação e manutenção destes direitos que as lideranças continuam viajando centenas de quilômetros para acampar na Esplanada. Mas o acampamento também é momento de encontro entre os povos, e realização de rituais, e de trocas de experiências entre os grupos. (leia mais) Este ano, dos quatro dias de acampamento, dois e meio foram ocupados com debates entre os próprios indígenas e as entidades indigenistas do Fòrum em Defesa dos Direitos Indígenas, que promove o encontro. Das reuniões, saíram propostas que subsidiaram a definição de prioridades de ação do movimento, explícita no documento final do encontro (leia aqui). As prioridades foram divididas entre demarcação, proteção, gestão e sustentabilidade das terras, impactos do Programa de Aceleração do Crescimento, com obras de infraestrutura sobre as terras indígenas, saúde, educação, legislação indigenista, participação e controle social. A definição de posicionamentos e pautas do movimento ganha importância ainda maior neste momento em que o governo Federal instala a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). A Comissão foi proposta apresentada pelo Acampamento Terra Livre há dois anos, e poderá ser um passo importante para a mudança da política indigenista no País. O objetivo dela é que as linhas e prioridades das ações públicas voltadas aos povos indígenas sejam definidas com a participação real dos próprios povos indígenas, e não mais pelos não índios. (leia mais) As 20 lideranças indígenas indicadas para o órgão (veja aqui a lista completa) encontraram-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Planalto resolveu aproveitar a presença de mais de mil indígenas de cem povos de todo o Brasil, para oficializar a medida. A Comissão é presidida pelo presidente da Funai e composta também por duas entidades indigenistas e outros 22 representantes de ministérios ligados a políticas para os povos indígenas. Em sua fala, o presidente Lula prometeu que os povos indígenas serão mais bem tratados por seu governo. “Temos de aproveitar o segundo mandato para fazer as coisas que não fizemos no primeiro mandato.” O petista admitiu que a falta de terras tem dificultado a subsistência de muitas comunidades e que ainda não fez o suficiente para garantir sua qualidade de vida. Ele afirmou que a CNPI não servirá apenas para referendar propostas da administração federal, mas para cobrar dela a garantia dos direitos indígenas, e chamou atenção para a responsabilidade das lideranças agora que participarão da definição das políticas voltadas às comunidades. |
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MÁRCIO MEIRA
Os indígenas estão entre os brasileiros com enormes desafios de inserção diferenciada na agenda de desenvolvimento social
A NAÇÃO brasileira tem uma dívida moral, ética e estética com os povos indígenas, que deve ser lembrada especialmente na data de hoje, Dia do Índio.
Da rede de dormir ao "Macunaíma", de Mário de Andrade, passando pela cultura material, toponímia, gastronomia e língua, em quase tudo podemos notar a presença dos ameríndios em nossa vida cotidiana. Ameaçada até os anos 70, a população indígena voltou a crescer no Brasil e, a partir de 1991, o IBGE os incluiu no censo demográfico, registrando um crescimento de 150% naquela década. Um ritmo quase seis vezes maior do que a média nacional.
Saltaram de 0,2%, em 1991, para 0,4% da população brasileira em 2000, totalizando 734 mil pessoas.
A Constituição de 1988 inovou em relação aos direitos indígenas. Deixa de tratá-los como seres inferiores a serem "integrados" à nação brasileira, reconhecendo-os na sua existência enquanto "diferentes" e reconhece os direitos "originários" sobre suas terras, conforme seus usos, costumes e tradições.
A ratificação pelo Brasil, em 2002, da Convenção 169 da OIT sobre "Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes", e, em 2006, a Convenção da UNESCO sobre a diversidade das expressões culturais, também trouxe avanços importantes aos direitos indígenas no Brasil.
Lideranças tradicionais e o movimento indígena organizado se tornaram atores políticos ativos desde a Constituinte, compondo hoje o cenário mais amplo da sociedade civil brasileira, inclusive com a eleição de vereadores e prefeitos indígenas. Esses elementos revelam passos importantes já consolidados na construção da democracia étnica e cultural brasileira pós 1984.
Entretanto, as comunidades indígenas, muitas vulneráveis inclusive à violação de direitos humanos, estão entre os brasileiros com enormes desafios de inserção diferenciada na agenda de nosso desenvolvimento social. Há muito ainda a se cumprir no que diz respeito aos seus direitos, garantindo-lhes um papel ativo no presente e no futuro do nosso país.
Nesse contexto, vários são os desafios para uma política indigenista: Reformular o desenho e a massa crítica do órgão indigenista -a Funai- aperfeiçoando-os e adequando-os ao quadro atual das relações democráticas não tutelares entre o Estado e as comunidades indígenas do Brasil; aprimorar a integração e a sinergia das ações do Estado, aumentando a eficiência e eficácia das ações nos territórios; prosseguir na garantia dos direitos ao patrimônio territorial indígena, combinados com a promoção ao etno-desenvolvimento sustentável; promover a educação e a saúde diferenciada de qualidade; progredir no debate das garantias da propriedade intelectual dos índios sobre seus conhecimentos tradicionais, associados ao patrimônio genético e cultural; agendar uma integração solidária com os vizinhos da América do Sul com forte população indígena, inclusive no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônico -OTCA e do Mercosul; garantir o protagonismo e a participação dos índios nas decisões que lhes dizem respeito, instalando a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). As mais vastas áreas protegidas da Amazônia e do cerrado brasileiro, especialmente na fronteira agrícola, o são graças à presença contemporânea de cerca de 222 povos distintos, falantes de 180 línguas: a maior diversidade lingüística do planeta.
Suas terras representam 13% de todo o território brasileiro, 22% na Amazônia Legal.
Muitos empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão previstos para a Amazônia Legal ou outras regiões onde vivem indígenas em suas terras. O debate sobre o aquecimento global robustece a necessidade do diálogo sobre o desenvolvimento com as comunidades indígenas.
Na perspectiva que propõe o presidente Lula de um novo ciclo histórico de desenvolvimento para o Brasil, que combine patamares expressivos de crescimento com inclusão social e reversão das desigualdades regionais, as comunidades indígenas precisam ver garantido seu espaço social e político de interlocução com o Estado e ter assegurado um lugar apropriado no futuro do Brasil.
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Marisa prevê debates sobre as questões indígenas no Senado |
| Jorge Franco |
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Na semana em que se comemora o Dia do Índio, na próxima quinta-feira (19), a senadora Marisa Serrano (PSDB) espera confirmar a audiência pública no Senado com o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira.
A senadora disse hoje que independente da confirmação da audiência, as questões indígenas deverão ser o principal tema das discussões no Congresso. “Vamos fomentar o debate sobre os projetos para a nação indígena, destacando as necessidades prioritárias das aldeias, principalmente as do nosso Estado”, disse Marisa Serrano, destacando que o atendimento aos índios não pode se resumir apenas a cestas básicas.
“Temos que viabilizar projetos de desenvolvimento humano para esta comunidade, sobretudo lhes proporcionando oportunidade de crescimento e de inclusão social”, disse a senadora do PSDB. |
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