CADA VEZ MAIS SEM ATENÇÃO, INDÍGENAS APELAM PARA VÁRIAS AÇÕES EXTREMAS PARA CHAMAR A ATENÇÃO PARA O ABANDONO EM QUE VIVEM

Sexta-feira, 16 de Março de 2007, 09h33
Índios fazem sociólogo refém em aldeia na região do Vale do Rio Doce

CARMÉSIA - Índios da tribo pataxó em Carmésia, a 208 km de Belo Horizonte, na região mineira do Vale do Rio Doce, mantêm o sociólogo Altino Barbosa Neto refém desde a noite de quinta-feira. Conforme a Polícia Militar, o índio Judinê Ribeiro Máximo é quem comunicou aos policiais a detenção.

O sociólogo, que é funcionário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na cidade de Governador Valadares, contou aos policiais que foi convidado para uma reunião na reserva, na sede da Fazenda Guarani, a 6 km de Carmésia, quando os índios detiveram-no.

Os integrantes da aldeia pataxó pedem à Funasa o repasse de remédios, cesta básica e dinheiro. A polícia não tem informações sobre as condições de saúde de Altino Barbosa.

Fonte: Jornal O Tempo - http://www.otempo. com.br/emtempo/ cidades/lerMater ia/?idMateria= 82485

O FAZEM OS NOSSOS LÍDERES DO MOVIMENTO INDÍGENA EM RELAÇÃO A ESSE GENOCÍDIO ESCANDALOSO DAS CRIANÇAS INDÍGENAS? O QUE FAZ O MINISTRO DA "JUSTIÇA"? O QUE FAZ O PRESIDENTE DA FUNAI? O QUE FAZEMOS NÓS?
Sétima criança indígena desnutrida morre em MS

Índio de 1 ano e 2 meses tinha quadro de deficiência alimentar, vômito e diarréia

Funasa diz que mãe fugiu com filho do hospital, mas líder indígena alega que eles foram liberados porque faltava remédio no local


HUDSON CORRÊA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE

A criança indígena caiuá Rogério Vilhalva, de um ano e dois meses, morreu na aldeia Bororó, em Dourados (MS), no fim de semana, após ser internada no hospital com quadro de desnutrição moderada, vômito e diarréia no último dia 6.
A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) disse que a mãe, Edna Vilhalva, 32, fugiu no sábado com a criança do hospital da Missão Evangélica Caiuá, na reserva. O órgão diz que os pais do menino são alcoólatras e rejeitaram a assistência médica.
O líder indígena caiuá Getúlio de Oliveira, 56, afirmou que "a Funasa fala besteira para se defender". Segundo ele, a mãe e a criança "foram liberadas porque não tinha remédio no hospital". Disse que "na aldeia a família não tinha o que comer".
Na versão da Funasa, que mantém convênio com o hospital para assistência aos indígenas, a criança estava sendo bem atendida e só não foi internada novamente, após a fuga, porque a mãe não voltou para casa, onde a Funasa diz que a procurou. Ela foi para a residência do sogro e não foi localizada.
O órgão diz ainda que entregou em fevereiro uma cesta de alimentos de 44 kg à família.
O atestado de óbito, segundo a Funasa, aponta que ele morreu de desidratação grave provocada por diarréia infecciosa.
Neste ano, nas aldeias dos guaranis e caiuás em MS, seis crianças de até dois anos morreram de causas relacionadas à desnutrição, segundo a Funasa. Embora estivesse com desnutrição moderada ao ser internado, Rogério não entra na estatística do órgão, pois a desnutrição não consta do atestado de óbito como causa da morte.
A Funasa diz que atendia as seis crianças que morreram de desnutrição, mas não conseguiu salvá-las devido a desajustes familiares -provocados pelo alcoolismo, principalmente.
Em 2006, a desnutrição apareceu entre as causas das mortes de 14 crianças de até quatro anos, também guarani e caiuá. Em 2005, foram 27 casos. Os casos aumentaram, neste ano, após o governo de MS suspender a entrega de 11 mil cestas de alimentos aos índios. A entrega será retomada pela Funasa, que fez acordo com o governo.
Rogério, conforme o atestado de óbito, morreu por volta das 22h de domingo. Somente na segunda-feira pela manhã a Funasa foi chamada para resgatar o corpo. O órgão informa que encontrou os pais bêbados.
"Até perto de seis meses de idade, [a criança] estava [com o peso] dentro da normalidade. Na faixa de alimentar [além do leite materno], não perdeu peso, simplesmente não ganhou o que precisava", disse o médico da Funasa Zelick Trajber.
Fonte: Folha de São Paulo, 14.03.2007

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